sábado, 18 de setembro de 2010

GLOBO e ABRIL brigam pela audiência no METRÔ, ÔNIBUS e ELEVADOR

De forma discreta vão se avolumando evidências que os territórios das mídias sempre claramente definidos vão perdendo suas fronteiras.
Num post anterior apresentei uma (possível?) estratégia de novo modelo de negócios para a ABRIL ao comprar a ELEMÍDIA. Líder na audiência OOH.

SABEMOS QUE É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL RETER A AUDIÊNCIA DURANTE OS INTERVALOS COMERCIAIS (os famigerados efeitos Zapping, Surfing e Afastamento)

O desafio hoje é encontrar momentos onde seja possível reter a audiência nos intervalos. Isso acontece acontece quando a atenção do usuário sofre poucos estímulos. Esses momentos mágicos ocorrem quando o usuário (em tese) não tem outra opção a não ser ver os comerciais. Numa época de celular e web competindo pela atenção, esses momentos de atenção concentrada (cada vez mais raros) são encontrados no METRO, ÔNIBUS e elevadores.

Nada mais inteligente que propor conteúdo (e vender anúncios) por estes canais.
Aparentemente sem ser um desafio direto entre as organizações, parece que a GLOBO e a ABRIL começam a disputar este território. Há também um motivo mercadológico: o estrondoso crescimento da Classe C (corresponde às famílias que tenham renda mensal de R$ 1.126 a R$ 4.854 )que já é mais de 40% da população e é grande usuária desta plataforma.

Por isso não é de se estranhar a decisão da Globo de transmitir sua programação em
10 estações de metrô de São Paulo até o fim de setembro e 52 até o fim do ano.

A estimativa é chegar a uma audiência no METRÔ quatro milhões de passageiros por dia.
Isso também será feito pala BUS TV em 600 ônibus em São Paulo.
Evidente os investimentos são altíssimos, mas demonstra que a estratégia de longo prazo é evitar concentrar RECEITAS nas plataformas tradicionais.

Talvez sem imaginar a GLOBO e a ABRIL tentarão capturar a mesma audiência no transporte ou em elevadores dentro das empresas.
Consequências: novos formatos de conteúdo, novos tempos de intervalo e super exposição.

É interessante monitorar os resultados.

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mudanças nas mídias -> um uso útil das redes sociais

Sabemos que está ocorrendo uma migração das verbas publicitárias das mídias tradicionais para o PDV e para as novas plataformas.

Isso já vem acontecendo já há alguns anos e tem se intensificado nos últimos 2 anos. Especialmente com a chegada das redes sociais ao sortimento de opções de plataformas.

Nas grandes corporações existe uma resistência ao uso de redes sociais. É natural que seja assim. Existe uma zona de conforto no uso das mídias tradicionais. Soma-se a isso que as experiências com redes sociais tendem a ser defensivas -> estar presente para evitar detratores. Algumas empresas como a UNILEVER utilizam o SAC em redes sociais para iniciar o relacionamento de modo inteligente e pouco intrusivo.

As ações inovadoras nas redes sociais são ainda experiências nos usos dessa plataforma.
Foi com surpresa que acabo de acessar a Rede CAMINHOS & ESCOLHAS do SANTANDER.

Esta rede social faz uma interessante integração entre o público e o conteúdo.
Vale a pena conferir ->http://www.caminhoseescolhas.com.br/

Mas ainda é uma experiência. Precisamos acompanhar para avaliar resultados objetivos.
De qualquer forma mais uma plataforma que mina recursos das mídias tradicionais.

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br
Postado por Ramiro Gonçalez às 1

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS CONTINUA

Mês passado a revista WIRED publicou um artigo com o título “A web está morta. Longa vida para a internet”.
Dois autores consagrados de livros – Cris Anderson e Michael Wolff fizeram a provocação.
Apesar do título sensacionalista, o texto dá o que o pensar. Primeiro ao apresentar uma diferença semântica entre WEB e Internet.

Segundo os autores a WEB é domínio das soluções de busca e a Internet é o domínio da distribuição da informação. Claro que é preciso ser muito rigoroso conceitualmente para admitir essa distinção entre Web e Internet.

Mas vamos considerar que exista essa diferença entre a WEB e a Internet, quais seriam as implicações futuras?
Segundo Anderson e Wolff essa anarquia e democracia existente na Web tem um fim próximo devido a uma única razão: não traz ROI.

Como largamente debatido no meu livro “Mídias e Negócios” o futuro das plataformas está atrelada aos modelos de negócios que as financiam. A constatação dos autores não é nenhuma novidade. O que parece ser uma leitura inteligente deles é que o mercado irá buscar soluções de modelos de negócios na distribuição da informação (que eles chamam de Internet).
O exemplo lapidar deles é o FACEBOOK. Esta ferramenta dissocia seus usuários da WEB. Ele os captura e os mantém o máximo possível dentro de seus domínios.
É uma idéia polêmica, mas interessante. Criar territórios e manter os usuários o máximo possível dentro deles.
Isso já é feito a exaustão pelas mídias tradicionais. As TVs abertas já fazem isso ao vender patrocínio, por exemplo, do BBB.
NOVOS TERRITÓRIOS PARA AS MÍDIAS TRADICIONAIS

Mais do que manter territórios as TVs Abertas estão criando novos territórios - como a Rede Globo que criou a BUS TV com conteúdo de entretenimento e jornalismo.
A tecnologia digital permite que o passageiro de ônibus assista a programação em real time. Isso será levado brevemente as companhias aéreas, sendo que já existe uma negociação REDE GLOBO com a TAM. E não é só a Globo.

O Grupo ABRIL –o mais importante do Brasil em revistas anunciou - em outubro 2010 -que adquiriu o controle de 70% da Elemídia. Mas quem é? O que faz a Elemídia?
A Elemídia é importante ator num setor que cresce 8% ao ano no Brasil: a mídia digital out of home.
Ao entrar no elevador de num grande edifício e assistir notícias e vídeos em um monitor você estará sendo atingido pela mídia OOH.
Neste sentido o Grupo Abril deu mais um passo na integração das mídias. Conteúdo das revistas num elevador, num outro formato.
E não ficou só nisso: a Abril disponibilizou o conteúdo de VEJA para iPad em 4 de setembro último.
Basta fazer o download da VEJA a partir de uma “banca virtual” (ereader), por meio de um aplicativo gratuito, com o mesmo preço da banca (R$8,90) .

Como abordado no livro “MÍDIAS E NEGÓCIOS” a integração das diferentes plataformas ao modelo de negócios será o caminho das grandes corporações de mídia.
Neste sentido as ações da ABRIL mostram uma estratégia consistente em abrir novas frentes através de várias plataformas.

As razões estratégicas que levaram GLOBO e ABRIL a crescer inorganicamente nas plataformas OOH são as constantes apropriações de audiência pelas mídias ON LINE.
Caminhamos para uma TV aberta que será a soma de pequenas audiências nas mais diversas plataformas.

Parece ser uma solução interessante para a pergunta que lançamos no livro “Mídias e Negócios”: o vendaval WEB rouba audiência das plataformas tradicionais, mas não gera receitas na mesma proporção. Como resolver isso?
As soluções apontam para uso de múltiplas plataformas. Por isso o nascimento de uma nova profissão: o gestor e jornalista transmídia. Fiquem atentos, pois o futuro vem surgindo aos poucos.
A ironia é que a TV ABERTA acaba de comemorar 60 anos...

Prof Ramiro Gonçalez
Inteligência de Mercado e Mídias – FIA- USP / UFPR
Autor dos livros: QUE CRISE É ESSA? MÍDIAS e NEGÓCIOS
Mestre em Ciências da comunicação USP
Engenheiro Produção – POLI
Responsável Inteligência de Mercado – FIA USP
Fundador do Grupo de Engenheiros de Produção da Poli
Membro Conselho editorial ABA – ABEP

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

WEB e INTERNET SÃO ANIMAIS DIFERENTES?

Mês passado a revista WIRED publicou um artigo com o título “A web está morta. Longa vida para a internet”. Dois autores consagrados de livros – Cris Anderson e Michael Wolff fizeram a provocação.
Apesar do título sensacionalista, o texto dá o que o pensar. Primeiro ao apresentar uma diferença semântica entre WEB e Internet.

Segundo os autores a WEB é domínio das soluções de busca e a Internet é o domínio da distribuição da informação. Claro que é preciso ser muito rigoroso conceitualmente para admitir essa distinção entre Web e Internet.

Mas vamos considerar que exista essa diferença entre a WEB e a Internet, quais seriam as implicações futuras?
Segundo Anderson e Wolff essa anarquia e democracia existente na Web tem um fim próximo devido a uma única razão: não traz ROI. Como largamente debatido no livro “Mídias e Negócios” o futuro das plataformas está atrelada aos modelos de negócios que as financiam. A constatação dos autores não é nenhuma novidade. O que parece ser uma leitura inteligente deles é que o mercado irá buscar soluções de modelos de negócios na distribuição da informação (que eles chamam de Internet).
O exemplo lapidar deles é o FACEBOOK. Esta ferramenta dissocia seus usuários da WEB. Ele os captura e os mantém o máximo possível dentro de seus domínios.
É uma idéia polêmica, mas interessante. Criar territórios e manter os usuários o máximo possível dentro deles.
Isso já é feito a exaustão pelas mídias tradicionais. As TVs abertas já fazem isso ao vender patrocínio, por exemplo, do BBB.
Mais do que manter territórios as TVs Abertas estão criando novos territórios - como a Rede Globo que criou a BUS TV com conteúdo de entretenimento e jornalismo.
A tecnologia digital permite que o passageiro de ônibus assista a programação em real time. Isso será levado brevemente as companhias aéreas, sendo que já existe uma negociação REDE GLOBO com a TAM.
Caminhamos para uma TV aberta que será a soma de pequenas audiências nas mais diversas plataformas.

Parece ser uma solução interessante para a pergunta que lançamos no livro “Mídias e Negócios”: o vendaval WEB rouba audiência das plataformas tradicionais, mas não gera receitas na mesma proporção. Como resolver isso?
As soluções apontam para uso de múltiplas plataformas. Por isso o nascimento de uma nova profissão: o gestor de transmídia. Fiquem atentos, pois o futuro vem surgindo aos poucos.

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma bomba nas redes sociais

Caiu com uma bomba no mercado
ON LINE a recente pesquisa realizada
pelo instituto alemão Brand Science.


Apesar de a pesquisa ser direcionada ao mercado europeu, minhas interpretações dos resultados mostram duas grandes conclusões:
1) As redes sociais captam audiência das mídias off line, mas não trazem resultados nas mesmas proporções;
2) As empresas não possuem estratégias para lidar com as Redes Sociais


Os resultados quantitativos são os seguintes:
- 81% das empresas não definiram uma estratégia para uso de redes sociais (resumo: “precisamos fazer algo de qualquer jeito...vamo que vamo ”)
- 72% acreditam que mídia social precisa ser viral (resumo é como dizer “precisamos de uma chuva com água...”)
- 84% usam métricas tradicionais para avaliar os esforços em redes (resumo: como o resultado é genérico, não há como dizer se isso é bom ou ruim.
Métricas tradicionais CPM, ROI ainda valem para qualquer mídia)
- 37% acham que mídia social significa compra de mídia (resumo: voltamos a década de 50. Comprar share of voice ao invés de comprar share of relationship)
- 11% possui algum manual de como seus colaboradores devem usar as redes sociais (resumo: ainda vale tudo)
Em nosso debate sobre o FUTURO DAS MÍDIAS NA FEA/FIA no primeiro semestre ficou claro que o uso de redes sociais É UMA ATITUDE DEFENSIVA. Motivo: Difícil invadir uma relação social digital .É o mesmo que interromper uma conversa: deselegante e intrusivo.
Poucas empresas (e pessoas) sabem fazer isso.
A UNILEVER apresentou um case em nosso debate " O Futuro das Mídias" que ilustra um modo inteligente de se iniciar o uso de Redes Sociais: pelo SAC. Transformar uma reclamação de sua marca numa rede social em algo positivo. Evidente que isso não é fácil ou possui fórmulas. Mas traz um caminho para as marcas que pretendem se enveredar no mundo das redes sociais. De certa forma é o renascimento do CRM, pois uma estratégia para Mídias Sociais passa necessariamente por um sistema de CRM . Afinal as mesmas características de ação aparecem nos 2 modelos: Identificar, Customizar, Interagir e Monitorar.
O que está demonstrado é que dá muito trabalho (operacional) fazer um esforço eficaz nas redes sociais. Por isso algumas empresas (e executivos) fogem da raia ao tentar mostrar resultados em mídias sociais. (em outro post detalharei o famoso caso da TECNISA DE VENDA DE UM AP PELO TWITTER: MUITO TRABALHO E UM ÓTIMO CRM).
Embora os resultados joguem um balde água fria em muitas expectativas em relação as mídias sociais, este estudo vem apenas ratificar a grande importância (e ignorância) em relação ao tema. O que temos certeza de fato é que poucos sabem o que fazer e os que sabem não ficam alardeando.
Resumo: ambiente cheio de oportunidades para aqueles que pretendem arriscar e inovar.
Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Gestor Transmídia na Rede Globo

A jornalista Patrícia Kogut do jornal O GLOBO informa que a empresa está contratando gestores de conteúdo multiplataforma.

Fiquei imaginando o que seria isso na prática.
Longe de ser um trabalho fácil. Este gestor deve, a partir de um conteúdo específico (por exemplo uma novela), criar conteúdos para as várias plataformas (blogs, twitter e outros).
Um exemplo dramático são os blogs dos personagens de televisão. O gestor de mídia precisa criar para os principais personagens posts diários que traduzam o pensamento do personagem. Mais do que isso devem interagir com os internautas. Todo dia, com todos os comentaristas.

Esse é o futuro multiplataforma. Como fazer um bom produtor de conteúdo mono plataforma se tornar um gestor multi mídia? Como essa interação afeta a produção de conteúdo? Até que ponto o usuário pauta o produtor de conteúdo?

As habilidades são maiores que as exigidas hoje para um bom roteirista e um bom jornalista. Afinal, além de produzir um conteúdo denso, terá que fatiá-lo e distribuí-lo em várias plataformas.
Essa Integração de plataformas será um ótimo desafio para os próximos anos...

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um exemplo de integração entre as mídias

A recente queda de um avião no mar próximo ao aeroporto Santos Dumont, traz evidências interessantes de como se dará a integração entre as mídias.
Usuários do TWITTER e órgãos do governo usaram o TWITTER de forma instantânea para registrar o que havia ocorrido. As informações são incompletas, truncadas e (muitas) emocionais. Mas o fato é que a 1a apuração da notícia se dá pelo próprio leitor (com todos os aspectos negativos e a subjetividade que isso traz).
A mídia tradicional faz a 2a apuração tentando trazer elementos objetivos para o evento.
Vejam a interessante apuração disponível no site da FOLHA.COM - disponível a partir das 10:05 h de hoje -> http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/08/12/aviao-cai-na-baia-da-guanabara-no-rio-de-janeiro.jhtm
"Twitter
Segundo informações do microblog Twitter da Associação Nacional dos Empregados da Infraero (Anei), que reúne as informações da Infraero, o avião é um jato Learjet, que decolou do Aeroporto Santos Dumont em direção ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão (Tom Jobim).

"O Learjet decolou do SDU para o GIG, retornou ao SDU por motivo ainda desconhecido e no toque foi visto fumaça no trem de pouso traseiro", disse a associação, que afirmou ainda que as vítimas receberam os primeiros atendimentos no posto de primeiros socorros do aeroporto.

De acordo com a Anei, o Cenipa investiga o acidente.

Internautas registram a queda
Em seguida ao acidente, internautas relataram no Twitter que viram a queda do avião. "Gente... Bizarro... Aula de medicina legal, o professor olha pela janela e fala 'gente, tem um avião caindo'. Caiu na água", contou a internauta Maíra Souza. "Achei que ele estava pirando de vez né? Mas não... Quando eu fui olhar.. Um avião caiu na baía de Guanabara, na frente da minha faculdade. Tô chocada".

A internauta Anilska Lira também flagrou o acidente. "Acabei de ver um avião caindo na baía de Guanabara. Eu estava na barca e deu pra ver parte do resgate", escreveu."

Difícil negar o futuro. Teremos de conviver com a instantaneidade (e inacuracidade) da notícia. Saber lidar com informações imprecisas será uma habilidade.
Novos tempos, novas abordagens. Ainda não sabemos como será feito o caminho, mas já estamos caminhando..

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br